- Mas, o que havia naqueles papeis em que a mamãe não para de assinar e rabiscar? – Eu indaguei, esperando compreender porque ela fazia aquilo. - É o contrato de aluguel da casa. Com a mudança, essa casa vai ficar vaga e será alugada para uma família de Seattle que está de mudança para Denver. E o que ela está rabiscando são as clausulas do contrato com as quais não concorda. – Ele explicou, enquanto bocejava de sono. - Ah sim, entendi. – Comecei – E-eu acho melhor eu ir para o meu quarto agora, porque já são mais de meia noite e você está caindo de sono. E além do mais, nós teremos um dia cheio amanhã arrumando as coisas para a mudança. - Nossa, o tempo como passou rápido! Não acredito que são mais de meia noite. – Exclamou ele, enquanto encarava o relógio espantado. – É verdade. – Continuou ele, retomando o assunto - Amanhã o dia será mesmo cheio, e já que você acha melhor, vai lá Al, e dorme bem minha pequena. - Obrigada Big B. – Eu respondi, sorrindo meiga para ele – Eu vou lá para o meu quarto sim, até amanhã e durma bem grande irmão! – Terminei, fazendo um gesto engraçado a chamá-lo de grande irmão, e depois depositando um beijo em sua testa. Ele retribui meu beijo com uma piscadela e um coração feito com as mãos enquanto eu saia de seu quarto.
terça-feira, janeiro 12, 2010
Now things are getting clearer. You know, I think.
- Oi Al. – Disse ele, sorrindo. Ele sempre me chamava assim, desde que eu era pequena e por algum motivo, eu amava aquilo. Na verdade, eu amava Brian. Nós não éramos como a maioria dos irmãos que vivem brigando, nós éramos amigos de verdade. - Oi Big B. – Respondi eu, sorrindo também. – O que você quer me falar? – Completei, me recostando na parede. - Olha eu percebi a sua cara de espanto lá na cozinha, e eu queria te explicar porque agi daquela maneira, porque sei que tu não estas entendo nada. – Disse ele. Era impressionante como ele, assim como Liam, podia ler meu pensamento. - É eu realmente não entendi nada do que aconteceu lá embaixo. – Eu disse, sorrindo envergonhada. - Bom o que acontece é assim: Desde que a banda acabou, a Gina tem se tornado insuportável. Há dois dias eu resolvi terminar com ela, e tudo acabou em um desastre de proporções cósmicas. – Explicou ele. - Bem a cara da Gina. - Eu comentei para mim mesma, com a voz bem baixa. - Pois é. Bem a cara da Gina mesmo. – Concordou ele – Mas continuando: Ela armou o maior escândalo na saída do colégio, e agora, acho que o melhor é mesmo nós nos mudarmos, para que ela pelo menos esqueça que eu existo e que eu escape do ultimato de morte que ela me deu. - Ela disse que iria te matar? – Perguntei eu, com os olhos arregalados. - É ela disse. Disse que iria acabar com a minha vida assim como eu acabei com a dela, e todos aqueles dramas típicos dela. Patético. – Disse ele, dando uma grande gargalhada após terminar a frase. De imediato, eu comecei a rir também. Após rirmos um pouco da cara da Gina (Sim, ela merecia aquilo) voltamos a conversar.
Descriptions, memories of the past and back to reality.
Dobrei o corredor de acesso e subi as escadas. Cheguei rapidamente ao segundo andar, e logo tomei o rumo do quarto do meu irmão. O segundo andar de nossa casa era grande, e nossos quartos ficavam do mesmo lado do corredor, porém, o quarto dele era o último e o meu era o segundo. Havia três portas do nosso lado do corredor, e mais duas do outro. Nas duas portas que havia no lado direito estavam respectivamente o quarto de mamãe e o banheiro principal. Na primeira porta do nosso lado (O esquerdo), havia uma sala com equipamentos musicais. Guitarra, bateria, baixo, teclado e dois amplificadores. É Brian costumava ter uma banda com os amigos, a Massive Stardust, mas há pouco tempo o baterista, o Josh, e o guitarrista, o Noel (O nome verdadeiro dele era James, mas ele sempre preferiu que o chamassem de Noel, por algum estranho motivo que não vem ao caso) brigaram e eles resolveram parar, para evitar maiores conflitos. Quando finalmente cheguei ao quarto de Brian, ele estava como de costume, completamente largado em cima da cama. Sentei-me ao seu lado, e ele se recostou na parede.
Sometimes I feel like a clown ..
Após o final da conversa com mamãe, meu irmão levantou-se da cadeira onde estava sentado, e caminhou calmamente em direção as escadas. Quando estava a me ultrapassar, ele tocou de leve meu braço direito, de um jeito que mamãe não pode ver, e continuou andando. Eu sabia o que aquilo queria dizer: Ele queria falar comigo. Ou mais provavelmente rir da minha cara de espanto quanto à reação dele sobre a mudança. Fiquei maquinando sobre essas duas possibilidades, e com relutância aceitei que a segunda tinha mais chances de ser verdade, já que estávamos vivendo no mundo ao contrário. Terminei meu suco, joguei a caixinha fora e parti na mesma direção que meu irmão, deixando minha mãe sozinha na cozinha, em meio a uma grande quantidade de papeis-nos quais ela de hora em hora fazia uma rubrica, ou riscava um trecho. Eu não sabia do que se tratava, mas devia ser algo referente à mudança, já que ela havia mostrado esses papeis a Brian durante a conversa com ele.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
Who was it that changed the world and forgot to tell me?
Tive uma vontade enorme de correr novamente ao parque e me jogar no lago, para que não tivesse que enfrentar meu irmão. Mas ao invés disso, contrariando todas as ordens de perigo expresso que meu cérebro enviava desesperadamente para meus membros, eu adentrei a cozinha, caminhei até a geladeira, peguei de dentro da mesma uma caixinha de suco e me recostei na bancada, dizendo ‘Olá’ para minha mãe e para meu irmão como se nada estivesse acontecendo. Está bem, eu me espantei bastante em perceber o quanto meu corpo tem vontade própria e ignora completamente as ordens de meu cérebro, mas eu me espantei mais ainda quando vi os dois respondendo normalmente para mim. Acho que só eu imaginava que alguma coisa estava acontecendo, porque os dois conversavam na maior tranqüilidade. Não, aquilo não podia estar acontecendo de verdade. Era para o Brian estar gritando com a mamãe e dizendo que queria de qualquer jeito continuar em Denver, por causa de sua namorada, a Gina, e que se ela não decidisse ficar, ele fugiria de casa, mas ao contrário disso, ele estava dizendo que seria ótimo ir morar em Salem! Meu Cristo, o que estava acontecendo? Quem foi que mudou o mundo e esqueceu de me avisar? Eu não estava mais espantada, e sim, perplexa.
From heaven to hell. Or maybe not ..
- Até parece Liam – Respondi eu, dando um pequeno tapa em seu braço – eu nunca iria embora sem antes me despedir de você. Você é a segunda pessoa mais importante da minha vida. – Conclui eu, sorrindo serena para ele. - Como assim, segunda? – Ele indagou com uma expressão hilária de indignação. - A primeira é a minha mãe Liam. – Respondi, com as sobrancelhas levantadas e os braços cruzados na altura do busto. - Nossa – Suspirou ele – você me assustou agora. Achei que havia me trocado por outro melhor amigo! – Disse ele, rindo e me fazendo rir junto. - Nunca Liam! Nunca repita isso. De melhor amigo na minha vida, só existe você – Eu disse, enquanto ria e entrelaçava meu braço ao dele. - Me sinto melhor sabendo disso. – Respondeu ele sorrindo. – Mas agora a senhorita tem que entrar se não vai acordar em estilhaços amanhã e ainda vai ter de ouvir bronca da dona Clarisse. – Completou ele, enquanto me virava em direção a porta e colocava a chave, que eu segurava em minhas mãos, na fechadura. - Está bem Liam, eu entro sim. Até amanhã meu amor, eu te amo. – Eu disse enquanto terminava de rodar a tranca e logo após beijá-lo o rosto. – Anda pela sombra, melhor amigo. – Completei. - Até amor. – Disse ele enquanto se afastava e após ouvir minha última frase, retrucou – Pode deixar, melhor amiga. – E fez um coração para mim. Entrei em casa sorrindo radiantemente por causa do coração que Liam fizera a pouco com as mãos para mim, e assim que passei para a sala de jantar, avistei minha mãe sentada à mesa da cozinha, com Brian a sua frente, provavelmente contando as novidades para ele.
domingo, janeiro 10, 2010
And after the twilight, please take me home.
Quando o sol desapareceu por completo, Liam soltou-me do abraço de lado em que havia me envolvido quando o crepúsculo começara e olhou profundamente em meus olhos castanhos. Ele tinha que parar de me olhar daquele jeito. - Alice, acho melhor você voltar para casa. Como você mesma me disse, as preparações para a mudança irão começar amanhã bem cedo, e é provável que terça vocês já estejam embarcando para Houston. Você precisa descansar para poder ajudar a dona Clarisse amanhã. – E dizendo isto ele passou a mão carinhosamente por meus cabelos castanhos que brilhavam a luz serena da pouca lua que fazia naquele inicio de noite. - É verdade. Eu acho que vou precisar descansar para agüentar a maratona que será amanhã em minha casa. – Disse eu, sorrindo. – E além do mais, eu nem falei com o Brian hoje, e acho que vou precisar passar um grande tempo desta noite tentando convence-lo da idéia de nós nos mudarmos. - Isso mesmo. Então – Ele começou, levantando-se do banco – vamos? – E estendeu sua mão para mim. - Vamos – Respondi eu, levantando também e segurando sua mão. Fomos caminhando de volta para minha casa, e ao chegarmos à porta, Liam se pos em minha frente, olhou-me em silencio, com aquele olhar profundo que sempre me desolou a alma e me abraçou rapidamente, quebrando aquela tensão que se instalara entre nós. Antes de me soltar, ele beijou o topo de minha cabeça e depois, voltou a me olhar, mas desta vez, com um olhar mais vago, e entristecido. - Até mais Al. – Ele começou, olhando para todos os cantos possíveis, menos para mim – E, por favor, não esqueça de me dar adeus antes de ir embora, está bem? – Finalizou ele, fitando meus olhos com aquele olhar arrasador de almas dele.
Kiss me, beneath the milky twilight. Lead me out on the moonlit floor.
Liam me ouviu paciente, sem dar nem um parecer até eu me calar novamente, e foi apenas ai que ele disse: - Bem, Houston não é tão longe assim. Acho que vou poder ir te visitar durante os verões, e se minha mãe deixar, passar toda uma primavera com você por lá. Claro, se você ainda quiser a minha companhia – Disse ele com um sorriso bobo no rosto. - Liam como você consegue fazer brincadeiras numa hora dessas? – Perguntei eu, tentando decidir entre chorar ou rir, e por fim, optando pelos dois. - Bem, é melhor tentar ver o lado bom das coisas meu amor – Ele disse enxugando pequenas lágrimas que ainda escorriam por minha face – porque se eu não o visse, com certeza gostaria de morrer agora. - Liam – Comecei, olhando o em seus lindos e brilhantes olhos verdes – eu te amo. - Eu também te amo, minha Alice. – Ele sussurrou com o rosto perto ao meu, e então, encostou calmamente nossos lábios. Então, eu o beijei. Seria a última vez que poderia fazer isso, e eu não perderia essa chance por nada. Depois daquele pequeno beijo, voltamos a conversar e assim continuamos até o entardecer. Era lindo ver o crepúsculo daquele banco. O sol se escondia por detrás dos alpes e refletia toda a sua luz alaranjada na água azul escura impenetrável do lago Roosevelt. Era uma das paisagens mais lindas para se ver, mas naquele momento ela se tornava um tanto quanto melancólica a meu ver, diferente de antes, quando eu a achava alegre e animadora. Talvez, fosse porque essa seria a última vez que eu a veria.
Let's take a ride? Maybe a breath of fresh air helps.
Imediatamente, eu segurei seu rosto, não contendo também as minhas lágrimas e o olhei nos olhos mais uma vez. Eu realmente queria falar palavras reconfortantes para ele naquele momento, mas eu não sabia o que dizer. - Liam meu amor – Comecei – por favor, não chore. Eu sei que vou ter de me mudar, por mais que eu queira ficar aqui com você e com os outros, mas eu nunca os deixarei de verdade. Você sempre me terá por perto, e sempre que precisar é só me chamar, e em um instante, eu estarei aqui com você. - Mas – Disse ele ainda com aquela voz de choro que aniquilava minha alma – para onde você vai se mudar? - Olha – Respondi eu, tentando me controlar para não cair em prantos e pensando que seria melhor contar tudo a ele em um lugar mais calmo – vamos dar uma volta no parque? Será melhor te contar isso em outro lugar, pois, ainda estamos no meio da rua amor. – Terminei sorrindo. Ele fitou meu rosto e projetou um meio sorriso magoado, concordando por fim em irmos para o parque. Caminhamos duas quadras até a entrada do Parque Municipal do Condado de Denver e caminhamos abraçados parque adentro, indo em direção aos bancos que margeiam o lago. Sempre que tínhamos problemas, sentávamos juntos naquele banco velho de madeira e conversávamos horas e horas. Aquela seria a ocasião perfeita para fazer aquilo pela última vez. Chegamos ao banco minutos depois, e nos sentamos. Quando olhei novamente nos olhos de Liam, não me contive, e comecei a falar desesperadamente tudo que havia acontecido naquela manhã.
Babe, please don't cry. Please make my heart stop bleeding.
Liam me soltou após um longo abraço e me fitou os olhos. Era impossível esconder o que eu estava sentindo. Ainda mais quando aqueles olhos verdes de Liam me olhavam tão profundamente. Eu sentia que mesmo que se escondesse a verdade no lugar mais profundo, escuro e remoto de minha mente, Liam a encontraria com aquele olhar. E foi tiro e queda. - O que está acontecendo Alice? – Perguntou ele, me fitando seriamente. - Na-nada Liam. Porque estaria acontecendo alguma coisa? – Respondi em um tom cômico, tentando disfarçar com ironia a incerteza de minhas palavras. - Eu sei que está acontecendo alguma coisa. Só me falta saber o que. E pelo visto, não é das melhores coisas. – Disse ele, esboçando um sorriso fraco. - Olha Liam – Comecei eu, tentando achar um jeito de falar àquilo da forma mais amena possível – eu vou me mudar. – É, eu não achei esse jeito. Aquele pequeno sorriso que Liam havia esboçado a pouco sumiu completamente, e sua feição foi tomada por uma expressão surreal. - E-eu não acredito. – Disse ele olhando em volta, incrédulo – Depois de tantos anos juntos, você vai se mudar. – Ele completou com uma voz baixa, praticamente sussurrada. Liam, então, abaixou sua cabeça e eu pude ver seus olhos se encherem de lágrimas.
Why is it so hard to tell you this? Why?
Nós nos conhecemos por meio de nossas mães, que eram amigas de faculdade e por coincidência haviam ido morar na mesma cidade após os seus respectivos casamentos. A mãe de Liam, a senhora Thompson, era uma graça de pessoa. Ela sempre me tratava como se eu fosse uma filha para ela, e foi esse tratamento especial que fez com que eu ficasse muito envergonhada todas as vezes que eu ia à casa de Liam enquanto éramos namorados. É eu sei eu sei, eu disse que Liam era meu melhor amigo, e é exatamente isso que ele é, mas antes de me dizer o quão sem vergonha eu sou de namorar um garoto, terminar com ele e ainda chama-lo de melhor amigo, pense bem, que garota nunca foi apaixonada por seu melhor amigo? Eu acredito que nenhuma, e ao contrário de algumas, eu era correspondida. Liam e eu namoramos por pouco mais de sete meses, e terminamos durante o outono, quando eu tive de passar uma semana com meu pai em Washington por causa de pesquisa de campo para um trabalho da escola, e nós vimos que não daria mais certo daquilo para frente. Atualmente, somos melhores amigos como nos tempos em que comíamos cola no jardim de infância, e contamos tudo um para o outro, seja qual for o assunto. E foi isso que tornou mais difícil contar para ele o que estava acontecendo.
Finally a good thing, after a morning more than stunning. And the good thing, is you.
Após ouvir minha mãe falar pelo resto da manhã, voltei ao meu quarto e troquei o meu pijama de personagens de desenhos animados por uma roupa mais adequada a minha idade. Coloquei um jeans velho, uma camiseta estampada com frases coloridas e um dos meus queridos tênis coloridos. Peguei um casaco e sai de casa, avisando isto antes a minha mãe, claro, e assim que ultrapassei os jardins de minha casa, vi um dos meus melhores amigos, Liam, andando do outro lado da rua. Gritei o seu nome, e a me ver, ele sorriu abertamente e caminhou em minha direção, e ao me alcançar me abraçou como fazia todas as vezes que me encontrava. Liam era o meu amigo mais antigo. O meu primeiro e o meu melhor amigo. Eu o conhecia há aproximadamente dezesseis anos, e considerando que está é a minha idade, era um grande tempo de amizade.
We're moving to the city of monsters and witches? Oh, great.
Espera um minuto, será que eu estava mesmo ouvindo direito? Nós iríamos nos mudar da minha linda cidade de Denver, para uma cidade que fica completamente isolada da humanidade, na ponta do nosso país, no meio do estado de Oregon? Não podia ser verdade. Depois que eu assimilei aquela idéia, não consegui mais me concentrar no que minha mãe dizia. Eu sabia que algo que ela falava poderia ser importante, e que eu deveria ouvir tudo com atenção para avisar a Brian antes de mamãe, para que ele se chocasse menos ao ouvir aquelas palavras saindo da boca da mesma, mas eu simplesmente não conseguia prestar atenção. Fiquei imaginando como seria a vida em Salem, e imediatamente imagens de bruxas e monstros dos quais contam as más línguas do Halloween vieram a minha cabeça. Aquilo definitivamente não podia ser verdade.
Someone please, can throw a rock in my head? Thank you.
Depois que aquelas palavras soaram pelos arredores de minha mente, eu finalmente consegui sair daquele estado de choque e dizer alguma coisa. Não que o que eu tenha dito seja o que eu exatamente queria ter dito no momento, mas acho que fui afetada demais pela emoção, e me deixei levar, dando um sorriso meigo e dizendo: - Não estou espantada mamãe, estou apenas um pouco surpresa por tudo ter acontecido tão rápido. Eu estou muito feliz por você! – E a abracei. Quando nos soltamos do abraço, dona Clarisse apertou minhas mãos com um sorriso enorme no rosto e me levou até a mesa, onde sentamos e ela começou a falar sobre os detalhes da mudança. Eu parei de ouvi-la exatamente quando o nome da nova cidade ecoou em minha cabeça: Salem.
Dear brain, this is a good time for me to faint.
Assim que me soltou, eu a fitei os olhos e percebi uma tremenda felicidade neles. Então perguntei: - Dona Clarisse, o que a senhora aprontou para estar tão feliz? – Em um tom que parecia que quem era a mãe naquela cena era eu. Minha mãe bateu no meu braço de leve e respondeu com um tom de voz tão alegre quanto se esperava após ver aquele brilho nos olhos: - Eu finalmente consegui! Alice, nós vamos nos mudar! Sabe, tentar descrever como foi minha feição naquele momento seria um pouco difícil, já que eu não tinha um espelho, mas eu garanto que era algo muito parecido com uma expressão de espanto extremo. Minha mãe então me olhou um pouco menos animada, após perceber que eu não havia dito nada sobre aquela notícia que ela havia dado a pouco e me perguntou: - Alice, você não se lembra de uma conversa que tivemos tempos atrás? Eu estava planejando a muito esta mudança e por isso não há motivos para essa sua feição impagável de espanto.
